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    Aécio em campanha: Força de apoio de Marina divide analistas

    Em meio ao xadrez político que separa o primeiro do segundo turno, a Executiva Nacional do PSB aprovou, por maioria na noite de terça-feira (8), o apoio do partido a Aécio Neves (PSDB), que enfrentará a presidente Dilma Rousseff na etapa final da corrida eleitoral.

    No primeiro turno, ocorrido no último domingo (5), a sigla foi representada na disputa pela ex-senadora Marina Silva, que substituiu o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo.

    O anúncio ocorre em meio a definições por parte de outros candidatos que disputaram a primeira etapa das eleições presidenciais no segundo turno.

    Eduardo Jorge, do PV, e Pastor Everaldo, do PSC, declararam apoio formal em Aécio. Já Luciana Genro (PSOL), a quarta mais votada, com 1,6 milhão de votos, afirmou que permanecerá neutra, mas convocou uma espécie de "antivoto" contra o tucano.

    Todas as dúvidas agora convergem sobre quem Marina Silva, que não faz parte da direção do PSB e obteve 22,2 milhões de votos (21,32% do total), vai apoiar no segundo turno.

    Mas apoiar um determinado candidato em detrimento de outro resulta em transferência de votos?

    Especialistas ouvidos pela BBC Brasil não acreditam em uma transferência automática de votos entre candidatos - mas acham que um eventual apoio de Marina pode influenciar o eleitor.

    "Se isso realmente existisse (transferência automática), Eduardo Campos deveria ter tido um alto porcentual de intenção de votos por ter Marina Silva em sua chapa como vice-presidente", afirmou à BBC Brasil Antonio Carlos Mazzeo, cientista político da Unesp em Marília. "Não foi o que ocorreu", acrescentou ele.

    Antes do acidente que o vitimou, Campos aparecia como terceiro colocado nas pesquisas, com apenas 8% da preferência do eleitorado brasileiro.

    Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, concorda. Para ele, a transferência de votos entre candidatos não é "sistemática".

    "O que determina o voto é a impressão que o eleitor tem do governo. Se ele tiver uma avaliação positiva, tende a votar no candidato governista. Caso contrário, vai preferir a oposição", disse Cortez.

    "O processo de migração de votos não é automático; é resultado de uma construção política. Cabe ao candidato convencer o eleitorado e aglutinar em torno de si o maior número de pessoas que compartilhem de sua percepção", acrescentou.

    "Além disso, existem outros fatores que precisam ser levados em conta, como o perfil do candidato apoiado. Tudo isso pode limitar uma eventual transferência de votos", concluiu.
    Para onde vão os votos de Marina?

    O professor Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), faz uma comparação com a eleição de 2010 para avaliar o peso de um eventual apoio de Marina.

    Em 2010, o segundo turno também foi disputado por candidatos do PT e do PSDB, após a eliminação de Marina do páreo no primeiro turno.

    "Essas eleições (2014) têm um perfil diferente. O PT está com mais desgaste, a inflação de volta, o crescimento econômico pífio, existe um cenário mais desfavorável. Acredito que esse eleitorado vai esperar um pouco por um posicionamento dela (Marina)", disse ele.

    "Se ela der sinais críveis, a grande maioria dos votos vai migrar para Aécio", disse. "Mas se não houver, mesmo assim, Aécio tem certa preferência desse eleitorado", acrescentou.

    Mazzeo, da Unesp de Marília, discorda. Para ele, "o eleitorado de Marina não é o eleitorado de Aécio".

    "Tanto Aécio quanto Marina tem eleitorados 'cativos'. Quem votou na ex-senadora não necessariamente votará no tucano, mesmo que isso represente a manutenção do PT no poder", afirmou o cientista político.

    "Acredito que muita gente que votou em Marina vote nulo ou mesmo acabe votando no PT", acrescentou.

    "Parte do eleitorado de Marina votou nela, pois a via como uma alternativa à polarização entre PT e PSDB. Ali se aglutinaram eleitores que queriam ver na presidência alguém que fugisse dos padrões tradicionais da política brasileira. Definitivamente para essa parcela da sociedade, Aécio – e por extensão o PSDB – não representa essa mudança. Pelo contrário, teme que o PSDB volte ao poder", concluiu.

    Para Rafael Cortez, da consultoria Tendência, "a tendência majoritária é que o eleitorado de Marina vote em Aécio. A questão, no entanto, será a magnitude dessa migração".

    Segundo ele, quem votou em Marina demonstra "insatisfação" com o atual governo. Nesse sentido, pode apoiar o tucano na tentativa de "tirar, a todo custo, o PT do poder".

    "Claramente, Aécio é a figura da oposição. Mas o tucano precisa não só atrair os eleitores de Marina para si, quanto capturar os votos daqueles que votaram em Dilma no primeiro turno mas ainda não sentem suas necessidades plenamente atendidas pelo governo atual", acrescentou Cortez.

    Na avaliação de Mazzeo, um eventual apoio formal de Marina a Aécio pode prejudicar a imagem política da ex-senadora.

    "Se Marina apoiar Aécio, ela estará desdizendo o que falou em 2010. Seria uma incongruência com 'a nova política', defendida pela ex-senadora. E isso certamente terá um impacto negativo em seus eleitores cativos", afirmou.

    Quando Marina Silva ficou em terceiro lugar em 2010, decidiu pela neutralidade no segundo turno.

    A ex-senadora entrou na disputa de 2014 após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo em agosto. Foi direto para um robusto segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, tornando-se ameaça real à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

    Em ascensão, tornou-se alvo de ataques do PT e do PSDB, o que ajudou a ruir o apoio que tinha e a tirá-la do segundo turno.

    Os votos de Marina são essenciais para Aécio - especialmente no Nordeste, onde ela esteve à frente dele em diversos Estados.

    Em Pernambuco, por exemplo, a ambientalista saiu-se vitoriosa. É exatamente nesta região onde está grande parte do apoio que tem dado sustentação às vitórias do PT para a Presidência.

    "Esses votos são importantíssimos", disse Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio. "Se dividir os votos (como em 2010), não muda nada. É nisso que Dilma vai trabalhar nos próximos dias. Aécio vai tentar consolidar isso. Ele precisa do apoio e um bom programa de TV".

    BBC Brasil

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