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    Antes da decapitação, Refens do EI passam por tortura, espancamento e fome

    Os reféns foram levados para fora de suas celas um a um. Em uma sala privada, seus captores perguntaram individualmente três questões íntimas, uma técnica padrão usada para obter provas que o prisioneiro ainda está vivo em uma negociação de sequestro. James Foley retornou à cela que dividia com aproximadamente duas dúzias de outros reféns ocidentais e desabou em lágrimas de alegria. As perguntas feitas a ele foram tão pessoais (quem chorou no casamento do seu irmão? Quem era o capitão do seu time de futebol na escola?) que o jornalista americano teve a certeza que os sequestradores estavam em contato com sua família. Era dezembro de 2013, mais de um ano após ter desaparecido em uma estrada no norte da Síria. Finalmente, seus parentes saberiam que ele estava vivo, disse aos colegas de cativeiro. O governo americano, acreditava, iniciaria negociações para libertá-lo.

    O que parecia um ponto de virada foi, na verdade, o início de uma espiral descendente para Foley, de 40 anos, que terminou em agosto, quando ele foi forçado a ajoelhar em alguma colina deserta e foi decapitado em frente às câmeras. Sua morte, distribuída em vídeo, foi um final público de um longo período de sofrimento escondido.

    Foley e seus companheiros de cela foram espancados e submetidos a simulações de afogamento rotineiramente. Durante meses, passaram fome e foram ameaçados de execução. Na dor, os prisioneiros se uniram. Inventavam jogos para passar as intermináveis horas, mas as condições se tornaram tão desesperadoras, que se voltaram uns contra os outros. Alguns, incluindo Foley, buscaram conforto na fé de seus captores, abraçaram o Islã e adotaram nomes muçulmanos.

    Esse período no cativeiro coincidiu com a ascensão do grupo que veio a ser conhecido como Estado Islâmico (EI), surgido no caos da guerra civil síria. Ele não existia no dia em que Foley foi sequestrado, mas cresceu lentamente para se tornar o mais poderoso e temido movimento rebelde na região. No segundo ano após a captura de Foley, o grupo já tinha reunido quase duas dúzias de reféns e montado uma estratégia para trocá-los por dinheiro.

    Foi nesse ponto que a jornada dos reféns, bastante semelhante até então, começou a se divergir a partir de ações tomadas a milhares de quilômetros: em Washington e Paris, em Madri, Roma e outras. Foley era um dos mais de 20 reféns ocidentais de 12 países, a maioria cidadãos de nações europeias, com governos com histórico de pagamentos de resgate.

    O governo americano afirma ter feito todo o possível para salvar Foley e os outros, incluindo uma mal sucedida operação de resgate. Os EUA argumentam que a “política de não pagar resgates salva a vida de americanos” a longo prazo, tornando-os alvos menos atraentes.

    A história de sobrevivência, contada pela primeira vez em uma reportagem publicada ontem no “New York Times”, foi construída com entrevistas com cinco ex-reféns, moradores que testemunharam o cativeiro, parentes e amigos das vítimas e conselheiros que faziam constantes viagens para a região na tentativa de libertá-los. Detalhes foram confirmados com um desertor do Estado Islâmico, que serviu no local onde Foley foi mantido. Os casos se mantiveram em segredo porque os militantes avisaram as famílias a não procurarem a mídia. Na reportagem, apenas nomes publicamente identificados pelo EI foram incluídos.

    Dentro da caixa de concreto em que eram mantidos presos, Foley e os outros reféns não sabiam o que suas famílias e governos estavam fazendo para libertá-los. As únicas informações que tinham eram dos guardas e deles mesmos. Grande parte do sofrimento era esperar por qualquer sinal que conseguiriam escapar vivos.

    O SEQUESTRO PERTO DA FRONTEIRA

    Faltavam apenas 30 minutos até a fronteira com a Turquia, mas Foley decidiu fazer uma última parada. Em Binesh, na Síria, ele e seu companheiro de viagem, o fotojornalista britânico John Cantlie, entraram em uma lan house para enviarem seus trabalhos. Os dois estavam cientes dos perigos de trabalhar no país. Poucos meses antes, Cantlie havia sido sequestrado há alguns quilômetros da mesma cidade. Tentou fugir, descalço e algemado, correndo entre balas, apenas para ser capturado novamente. Uma semana depois, foi liberado após intervenção de rebeldes moderados.

    Em frente ao computador, eles faziam o upload de imagens quando um homem apareceu.

    — Ele tinha uma grande barba — contou Mustafa Ali, o tradutor que viajava com os jornalistas. — Ele não sorriu ou disse qualquer coisa e nos olhou com olhos de ódio. Ele foi para um computador, sentou-se por um minuto e saiu. Não era sírio, parecia ser do Golfo.

    Foley, jornalista freelancer para o “GlobalPost” e Agence France Presse, e Cantlie, fotógrafo para jornais britânicos, continuaram transmitindo o trabalho para as redações. Mais de uma hora depois, pegaram um táxi para a viagem de 40 quilômetros até a Turquia. Eles nunca alcançaram a fronteira.

    Os atiradores que perseguiram o táxi não se identificavam como pertencendo ao Estado Islâmico, até porque o grupo ainda não existia no dia 22 de novembro de 2012, quando os jornalistas foram capturados. Mas o perigo dos extremistas islâmicos já era sensível nos territórios controlados por rebeldes na Síria e algumas agências de notícias já estavam deixando a região.

    Entre os sinais de alerta estava o crescente número de combatentes estrangeiros inundando a Síria com o sonho de estabelecer um califado. Esses jihadistas, muitos deles veteranos da Al Qaeda no Iraque, pareciam e se comportavam de maneira diferente dos rebeldes moderados. Eles usavam longas barbas e falavam com sotaques do Golfo Pérsico, Norte da África, Europa e além.

    A van que os perseguia acelerou pelo lado esquerdo e fechou o táxi. Combatentes mascarados saltaram e gritaram, em árabe com sotaque estrangeiro, que todos se deitassem no chão. Eles algemaram os dois jornalistas e os jogaram dentro da van. Abandonaram Ali na estrada e ameaçaram matá-lo caso os seguisse.

    Nos 14 meses seguintes, mais de 20 estrangeiros, a maior parte jornalistas e funcionários de agências humanitárias, caíram na mesma armadilha. Os sequestradores identificaram os habitantes locais que eram contratados por jornalistas para ajudá-los, como Ali e Yosef Abobaker, outro tradutor sírio. Foi Abobaker que levou Steven J. Sotloff, jornalista freelancer americano, para a Síria no dia 4 de agosto de 2013.

    — Nós estávamos dirigindo por apenas 20 minutos, quando vi três carros parados na estrada — disse Abobaker. — Eles devem ter um espião na fronteira que viu meu carro e avisou que estávamos indo.

    Os sequestros, realizados por diferentes grupos de combatentes que disputavam por influência e território na Síria, se tornaram mais frequentes. Em junho de 2013, quatro jornalistas franceses foram capturados. Em setembro, outros três jornalistas espanhóis.

    Começaram a surgir pontos de verificação e, em outubro, insurgentes aguardaram em um por Peter Kassig, de 25 anos, técnico americano de emergências médicas que estava entregando suprimentos. Em dezembro, Alan Henning, um motorista de táxi britânico, desapareceu em outro. Henning havia usado sua poupança para comprar uma ambulância usada e se juntar a uma caravana na Síria. Ele foi capturado apenas 30 minutos após entrar no país.

    Os últimos a desaparecerem foram cinco funcionários da organização Médicos Sem Fronteiras, que foram retirados de um hospital de campo na região rural da Síria, onde trabalhavam.

    O INTERROGATÓRIO

    Sob a mira de armas, Sotloff e Abobaker foram levados a uma fábrica têxtil em uma vila fora de Aleppo, na Síria, onde foram colocados em celas separadas. Abobaker, que foi libertado duas semanas depois, ouviu os sequestradores levarem o jornalista a uma sala de interrogatório.

    — Senha (password) — disseram, em inglês.

    Esse processo foi repetido com diversos outros reféns. Os captores apreendiam laptops, telefones e câmeras e pediam as senhas. Eles analisavam as contas no Facebook, as conversas no Skype, os arquivos de imagens e os e-mails, em busca de evidências de ligações com agências de espionagem e militares estrangeiros.

    — Eles me levaram para um prédio específico para interrogatórios — contou Marcin Suder, um fotojornalista polonês sequestrado em julho de 2013 em Saraqib, Síria. Ele passou por diferentes grupos de militantes antes de escapar, quatro meses depois. — Eles checaram minha câmera, meu tablet, depois tiraram toda a minha roupa. Eu estava nu. Eles procuraram por receptores GPS na minha pele ou nas minhas roupas, depois começaram a me bater. Eles buscaram no Google “Marcin Suder and CIA” e “Marcin Suder and KGB”. Me acusaram de ser um espião.

    Foi em um desses interrogatórios que os jihadistas encontraram imagens de militares americanos no laptop de Foley, tiradas durante seu trabalho no Afeganistão e no Iraque.

    “No arquivo de fotografias tiradas pessoalmente por ele existiam imagens glorificando a Cruzada americana”, afirmaram os jihadistas em artigo publicado após a morte de Foley.

    Um refém britânico, David Cawthorne Haines, foi forçado a reconhecer seu passado militar após os sequestradores localizarem seu perfil no LinkedIn. Os militantes também descobriram que Kassig, o técnico de emergências médicas, tinha servido ao exército americano na Guerra do Iraque. Os dois, assim como Sotloff, tiveram o mesmo fim que Foley.

    A punição para qualquer ofensa percebida era a tortura.

    — Você podia ver as cicatrizes em seus tornozelos — disse sobre Foley o belga Jejoen Bontinck, de 19 anos, convertido ao islamismo na adolescência, que passou três semanas em 2013 na mesma cela que o jornalista americano. — Ele me disse que o haviam acorrentado, de cabeça para baixo, em uma barra presa ao teto.

    Bontinck, que foi libertado ainda no ano passado, está em Antuérpia, sua cidade natal, aguardando junto a outros 45 jovens belga por julgamento sob a acusação de pertencer a uma organização terrorista. O jovem contou que Foley e Contlie foram capturados pela Frente Nusra, afiliada da Al Qaeda. Seus guardas, um trio que falava inglês apelidado de “The Beatles”, pareciam ter prazer em espancá-los.

    Depois, os dois jornalistas foram entregues a um grupo chamado Conselho Mujahedeen Shura, liderado por combatentes que falam francês. Foley e Cantlie foram transferidos ao menos três vezes antes de serem levados a uma prisão subterrânea no Hospital Infantil de Aleppo. Foi neste local que Bontinck, então com 18 anos, conheceu Foley. No início, o jovem era um combatente, um entre milhares de jovens europeus que seguiram para a região atraídos pela jihad. Mas tarde, ele entrou em conflito com o grupo e foi acusado de atuar como espião quando recebeu uma mensagem de texto do seu pai, preocupado, que pedia que ele retornasse para a Bélgica.

    Os militantes o arrastam para um quarto no porão do hospital. Nele, estavam dois estrangeiros, magros e com longas barbas: Foley e Cantlie.


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    UM AMERICANO CHAMADO HAMZA

    Foley se converteu ao Islã logo após sua captura e adotou o nome de Abu Hamza, disse Bontinck.

    — Eu recitava o Alcorão com ele — contou o jovem ex-combatente. — A maioria das pessoas diziam: 'vamos nos converter para sermos mais bem tratados'. Mas no caso, eu acho que era sincero.

    Ex-reféns contam que a maioria dos prisioneiros ocidentais se converteram durante as dificuldades do cativeiro. Entre eles, Kassig, que adotou o nome Abdul-Rahman. Poucos se mantiveram fieis às suas crenças. O judeu praticante Sotloff, então com 30 anos, foi um deles. No Yom Kippur, ele disse aos guardas que não se sentia bem e recusou sua comida para que pudesse, secretamente, observar o jejum tradicional, contou uma testemunha.

    Segundo os ex-cativos, a maioria dos estrangeiros se converteu sob coação, mas Foley aparentemente foi cativado pela fé islâmica. Quando os guardas trouxeram uma versão em inglês do Alcorão, os que apenas fingiam ser muçulmanos apenas folhearam o livro. Foley passava horas lendo.

    Os primeiros guardas, da Frente Nusra, viam com desconfiança a fé de Foley, mas o segundo grupo parecia acreditar. Diferente dos prisioneiros sírios, que ficavam acorrentados, Foley e Cantlie podiam se mover livremente dentro da cela.

    Bontinck conta que teve a chance de perguntar a um guarda da prisão, um cidadão holandês, se os militantes haviam pedido resgate pelos estrangeiros e a resposta foi negativa.

    — Ele explicou que havia um plano A e um plano B — disse Bontinck, dizendo que os militantes pretendiam colocá-los sob prisão domiciliar ou recrutá-los em um campo de treinamento jihadista. As duas possibilidades sugeriam que o grupo planejava libertá-los.

    Quando Bontinck foi libertado, ele anotou o número de telefone dos parentes de Foley e prometeu ligar. Eles fizeram planos de se encontrarem novamente. O jovem deixou a prisão pensando que os jornalistas, assim como ele, estariam livre em breve.

    A guerra civil síria, antes dominada por rebeldes seculares e poucos grupos jihadistas rivais, estava em um momento de mudança decisiva e um novo grupo extremista tinha assumido posição dominante. Em algum momento do ano passado, o batalhão que servia no Hospital Infantil de Aleppo se aliou ao grupo então chamado como Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Outras facções se juntaram ao grupo, cujas táticas eram tão extremas que até mesmo a Al Qaeda o expulsou de sua rede de terror.

    No fim do ano passado, os jihadistas começaram a juntar os prisioneiros, os levando para o mesmo cativeiro no subterrâneo do hospital. Em janeiro havia ao menos 19 anos em uma cela de 20 metros quadrados e quatro mulheres em um espaço separado. Todos, com exceção de um, eram americanos ou europeus. A liberdade que Foley e Cantlie gozavam chegava ao fim e cada prisioneiro foi algemado a outro.

    O fato mais preocupante é que os guardas que falavam francês foram substituídos por outros, que falavam inglês. Foley os reconheceu, eram os “The Beatles”.

    Eles instituíram um protocolo de segurança restrito. Os reféns recebiam números em árabe, o que parecia ser um esforço para catalogar os prisioneiros da mesma forma que forças americanas tratavam seus presos nos campos de detenção que funcionaram no Iraque, inclusive no Campo Bucca, onde Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, ficou detido.

    Os jihadistas tinham saído da obscuridade para montar o que eles chamaram de Estado. Em áreas sob seu controle, estabeleceram uma burocracia complexa, incluindo um tribunal, forças policiais e até mesmo um escritório de defesa do consumidor, que forçou vendedores de kebab a fecharem por causa da baixa qualidade dos produtos. O foco na ordem foi estendido aos reféns.

    Após meses de cativeiro sem exigências, os combatentes elaboraram um plano para exigir o pagamento de resgate. Em novembro do ano passado, cada preso teve que informar um endereço de e-mail de um parente. Foley deu o de seu irmão mais novo.

    Eles montaram um texto padrão e enviaram para todos os endereços indicados.

    INÍCIO DAS NEGOCIAÇÕES

    Em dezembro, os militantes já haviam trocado vários e-mails com a família de Foley e de outros prisioneiros. Após as primeiras perguntas para assegurar que estava vivo, o jornalista ficou esperançoso que seria libertado em breve. À medida que o tempo passava, Foley percebeu que outros prisioneiros eram convidados novamente para outras sessões de perguntas. Ele não, nem os outros reféns americanos e britânicos.

    Rapidamente, os prisioneiros perceberam que os sequestradores haviam identificado quais nações eram mais propensas a pagar resgate, disse um dos ex-reféns libertados.

    — Os sequestradores sabiam quais países seriam mais propensos a cumprir suas demandas e criaram uma ordem baseada na facilidade que poderiam negociar — disse. — Eles começaram com o espanhol.

    Um dia, os guardas vieram e apontaram para os três prisioneiros espanhóis. Eles sabiam que o governo espanhol havia pago 6 milhões de euros para libertar um grupo de trabalhadores de ajuda humanitária sequestrados pela Al Qaeda na Mauritânia. As negociações progrediram rapidamente — o primeiro foi libertado em março, seis meses após ser capturado — e os militantes se voltaram aos quatro jornalistas franceses.

    Os prisioneiros europeus passaram a responder cada vez mais perguntas e a filmar vídeos que seriam enviados a familiares e aos governos. Os vídeos se tornaram cada vez mais pesados, incluindo ameaças de morte e prazos para execução, num esforço para forçar o pagamento dos resgates.

    Em um momento, os carcereiros chegaram com vários macacões laranja. No vídeo, eles alinharam os reféns franceses com as roupas imitando as usadas por prisioneiros na prisão de Guantánamo, mantida pelos EUA em Cuba.

    Eles também começaram a fazer sessões de afogamento com alguns prisioneiros, da mesma forma que interrogadores da CIA haviam feito com presos muçulmanos durante a administração George W. Bush, disseram testemunhas.

    Com o passar do tempo, os presos foram divididos em dois grupos. Os três americanos e os três britânicos foram selecionados para os piores tratamentos, por causa da relação dos militantes com seus países e porque seus governos não negociariam.

    — É parte do DNA desse grupo odiar a América — disse uma testemunha. — Mas eles também perceberam que os EUA e o Reino Unido são os menos propensos a pagar.

    Dentro deste subgrupo, a pessoa que sofreu o tratamento mais cruel foi Foley, disseram os ex-reféns. Além dos espancamentos prolongados, ele foi submetido a execuções simulados e afogado repetidamente.

    Com as negociações se arrastando, as condições se tornaram cada vez piores. Durante um período, os prisioneiros receberam o equivalente a uma xícara de alimento por dia. Eles passaram semanas na escuridão. No porão, a única iluminação era uma fresta de luz que entrava sob a porta trancada. Após o anoitecer, a escuridão era total, até que os guardas lhes deram uma lanterna.

    Não havia colchões ou travesseiros. Alguns prisioneiros improvisaram um encosto para a cabeça com restos de calças usadas e trapos.

    Com os presos acorrentados uns aos outros, as brigas começaram.

    Foley compartilhou seu parco alimento com outros. No frio do inverno sírio, ofereceu seu único cobertor a outro colega de cela. Ele tentava manter o grupo entretido, propondo jogos, como um tabuleiro de xadrez feito de papel recortado.

    Nesta primavera no Hemisfério Norte, os presos foram transferidos dos porões do hospital em Aleppo para Raqqa, capital do califado autodeclarado do Estado Islâmico. Eles foram colocados em um prédio perto de uma instalação de petróleo, novamente divididos por sexo.

    Em março, os militantes haviam concluído as negociações para as três jornalistas espanhóis. No mês seguinte, quase a metade dos prisioneiros já tinham sido libertados. Entretanto, não havia progresso nas negociações sobre os americanos e britânicos.

    Além deles, os guardas identificaram o único refém russo, identificado pela imprensa russa como Sergey Gorbunov, como uma mercadoria pouco negociável. Em algum momento neste ano, homens mascarados se aproximaram dele, o arrastaram para fora da cela e o executaram. Eles filmaram o corpo e os reféns sobreviventes, com novas ameaças aos governos.



    Os reféns foram sendo libertados rapidamente e, em junho, a cela que já abrigara 23 pessoas tinha apenas sete: quatro americanos e três britânicos. Entre março e junho, 15 prisioneiros foram soltos, com regate médio de dois milhões de euros por cada, disseram pessoas próximas às negociações.

    Foley parecia sentir que o fim estava próximo. Em carta enviada à família, em meio a expressões de amor e carinho, ele instruiu como retirar o dinheiro de sua conta bancária.

    Em agosto, os militantes chegaram até ele e o levaram a uma colina deserta fora de Raqqa. O fizeram ajoelhar e em seguida cortaram sua garganta. Duas semanas depois, o mesmo aconteceu com Sotloff. Ainda em setembro, Haines foi executado e, no mês seguinte, Henning foi morto. Apenas três reféns continuam nas mãos dos militantes do EI: dois americanos, Kassig e uma mulher não identificada, e o britânico Cantlie, companheiro de viagem de Foley.





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