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    Lula critica internautas que atacaram nordestinos

    "É um absurdo que o nordeste e os nordestinos sejam caracterizados como ignorantes ou desinformados por seus votos." A pedido da BBC Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as declarações que circulam pelas redes sociais associando votos da população nordestina à candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) com "burrice" ou "pobreza".

    Em nota enviada à reportagem, Lula define as afirmações como "preconceito lastimável" e lembra de sua infância, quando saiu com a mãe de Caetés, no interior de Pernambuco, rumo a São Paulo.

    "Quem faz afirmações deste tipo, imagina o nordeste da década de 90 ou de antes, onde reinavam a fome, o desemprego e a falta de oportunidade. Por isso, muitos, como eu, tiveram que abandonar sua terra natal e migrar para outras regiões em busca de melhores condições de vida", disse o ex-presidente.

    "Hoje, o nordestino anda de cabeça erguida porque não é mais tratado pelo governo como cidadão de segunda categoria", acrescentou.

    A três semanas da votação que decidirá entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), Lula disse que os brasileiros precisam se "unir para continuar construindo um país mais solidário, mais justo (...), independente de cor, crença, religião ou região do país em que cada um tenha nascido".
    FHC

    A resposta de Lula foi enviada para fazer parte de uma discussão promovida pelo #salasocial, da BBC Brasil, sobre o preconceito alimentado pelo resultado das eleições em diferentes partes do país.

    A BBC Brasil pediu também a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, em entrevista publicada pelo UOL na segunda-feira, havia relacionado as conquistas eleitorais do PT à desinformação e ao que classificou como 'grotões'.

    "O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres", disse FHC, segundo o UOL.

    "Não é porque são pobres que apóiam o PT, é porque são menos informados", acrescentou.

    Um fórum da BBC Brasil no Facebook, que pedia comentários à análise do ex-presidente, gerou intenso debate e foi compartilhado mais de mil vezes. O ex-presidente recebeu inúmeras manifestações de apoio, mas também críticas.
    Vagabundos

    Nas redes sociais, eleitores vêm atacando beneficiários do programa Bolsa Família, distribuídos majoritariamente nas regiões Norte e Nordeste. Em suas críticas, eles dizem que o programa "paga vagabundos em troca de votos". Alguns usam linguagem altamente ofensiva como: "Médicos do Nordeste, causem um holocausto por aí. Temos que mudar essa realidade" e "A prova de que nordestino é vagabundo é quando entraram em pânico com o boato de que o bolsa família ia acabar, hahaha, escórias".

    "O anonimato ou o pseudo anonimato é uma variável importante para as expressões flagrantes de opiniões e comportamentos que não são socialmente aceitáveis", comenta a professora Ana Raquel Rosas Torres, da Universidade Federal da Paraíba, que pesquisa temas como preconceito e discriminação.

    "Basta olhar a história do Brasil para perceber que esta divisão (norte x sul) acompanha a nossa história", diz. "No entanto, cabe ressaltar que essa divisão não representa uma ameaça à percepção da unidade cultural do Brasil. Ou seja, apesar da percepção de existem vários " Brasis", por exemplo, o do sul, o do nordeste, o negro, o rico, o pobre, isso não significa um desejo de cisão dos país."
    Mão dupla

    Em 2010, logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT) à presidência, a frase “Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado” rodou o mundo. O discurso de ódio, publicado no Twitter por uma estudante de direito, rendeu à jovem um ano e cinco meses de prisão - pena convertida em multa e serviços comunitários.

    Quatro anos depois, com Dilma e no segundo turno, a história quase se repete. A diferença que, além dos nordestinos serem novamente alvo de preconceito, eleitores do Sudeste - paulistas, principalmente - também estão na mira.

    "Eu tô vendo que vai todo mundo morrer em grande estilo lá em São Paulo (jogados na sarjeta)", escreveu um eleitor. "São Paulo elegendo Russomanno, Tiririca e Feliciano. Bora insultar os paulistas?", tuitou outro. "Povo burro, ainda irão morrer de sede e fome: paulistas", postou uma terceira.

    A polarização não é unânime e também rende críticas e "meas culpas" nas redes sociais.

    "Não entendo (nem aceito) esse Brasil que incentiva o ódio, como estão fazendo agora colocando paulistas X nordestinos. CALMA, GENTE!", escreveu um internauta.

    "Povo do sul e sudeste xingando o povo do NO é xenofobia, mas os nordestinos chamando os paulistas de burros, idiotas pode?", tuitou outro.

    "Dos dois lados, só dá intransigência com voto alheio: “nordestinos ignorantes”, “paulistas escrotos”. Democracia só é legal quando se ganha?", resumiu um terceiro.
    Leia a nota de Lula na íntegra

    "É lamentável o preconceito que vem à tona depois de um processo democrático tão importante, como as eleições do último domingo. É um absurdo que o nordeste e os nordestinos sejam caracterizados como ignorantes ou desinformados por seus votos. Primeiro porque isso é fruto de preconceito lastimável, segundo porque mostra um desconhecimento profundo da atual situação do nordeste brasileiro. Quem faz afirmações deste tipo imagina o nordeste da década de 90 ou de antes, onde reinavam a fome, o desemprego e a falta de oportunidade. Por isso muitos, como eu, tiveram que abandonar sua terra natal e migrar para outras regiões em busca de melhores condições de vida.

    Hoje, o nordestino anda de cabeça erguida porque não é mais tratado pelo governo como cidadão de segunda categoria. Das 18 universidades criadas nos 12 anos de governo, 7 são no nordeste. A região conta hoje com 62 extensões universitárias. Mais de 16 mil estudantes dessas universidades foram estudar no exterior com o Ciência sem Fronteiras. Dos 20 milhões de empregos criados no país, quase 20% foram no nordeste. 141 escolas técnicas foram implantadas na região, representando 33% do total no país. A mortalidade infantil, que era um dos principais problemas da região caiu a menos da metade. Os nordestinos, hoje, não são mais personagens de tristes reportagens sobre as migrações para os grandes centros urbanos. Eles podem viver nas suas terras de origem com dignidade e oportunidade.

    Somos todos brasileiros e temos que nos unir para continuar construindo um país mais solidário, mais justo, com mais oportunidades para todos, independente de cor, crença, religião ou região do país em que cada um tenha nascido. As pessoas deveriam ser agradecidas pela diversidade do nosso grande país. Essa é a nossa riqueza.

    Lula"

    BBC Brasil

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