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    Marina tenta superar ataques e contradições para se firmar como alternativa

    Os mais próximos a descrevem como engraçada, bem humorada, inteligente e carismática. Os adversários atacam sua pose de frágil e ao mesmo tempo dizem que não suportam sua intransigência. As faces de Marina Silva se apresentam ao sabor da proximidade que se guarda com a ex-seringueira, alfabetizada aos 16 anos, ambientalista, que tinha o sonho de ser freira e hoje é evangélica.

    Um dos mais próximos da ex-senadora, o biólogo João Paulo Capobianco diz que sua característica mais marcante é o humor rápido e afiado. “Ela tem uma capacidade enorme de inventar apelidos que caem sempre como luva”, diz o fiel escudeiro, apelidado por Marina de “Escapobianco”, devido às suas recorrentes fugas das viagens. “Eu nunca gostei de viajar e ela vive me chamando”, justifica.

    Nesta campanha, o hábito de colocar apelidos nas pessoas acabou rendendo saias justas para Marina, quando insinuou que a presidente Dilma Rousseff era “fortinha”, como o besouro Mangangá. As características físicas da ex-senadora, no entanto, escondem um temperamento nada frágil, reconhecido pela própria candidata do PSB, que se comparou com uma árvore da Amazônia, a biorana. “A biorana preta não fica tão grossa, mas experimenta bater com um machado. Sai faísca, ele não verga", disse em um de seus discursos.

    É na capacidade de reação que Marina coloca toda sua energia e, entre os interlocutores da candidata, o consenso é que toda essa energia está voltada para vencer o PT, partido da qual foi fundadora e o deixou depois de 24 anos de filiação. Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou a pasta em 2008, em meio a tensões com outras área do governo, e, um ano depois, estava fora do PT. Filiada ao PV, disputou a Presidência em 2010 e ganhou quase 20 milhões de votos, levando a disputa ao segundo turno entre Dilma Rousseff (PSDB) e José Serra (PSDB).

    Veja imagens de Marina Silva durante a campanha:


    Filho de Eduardo Campos participa de comício de Marina Silva em Recife (29/9). Foto: Vagner Campos / MSILVA

    Integrantes do PSB dizem que ela nutre uma mágoa que a faz ser incansável na tarefa de tirar o poder das mãos de seu antigo partido. Ao sair do último debate realizado pela TV Globo, na quinta-feira (2), no qual protagonizou com Dilma um duelo que extrapolou os limites de tempo para perguntas e respostas, Marina teria comentado que havia “despejado tudo que estava entalado em sua garganta”.

    “Ela saiu feliz. Jogou tudo para fora tudo que ela queria jogar”, disse o deputado Walter Feldman, um dos mais próximos de Marina. “Se tem uma coisa que ela não tem é fragilidade. Como ela foi atacada, ela reagiu. Uma pessoa que passa por tudo que ela passou é diferente daquela que nasce com tudo pronto”, considerou Feldman.

    Em discurso nesta semana, para jovens na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, ela tentou se colocar como única capaz de absorver o sentimento antipetista. “No segundo turno, com tempo igual, a gente tem condições de vencer o PT”.

    AP
    A candidata Marina Silva, do PSB

    A imagem da candidata deste ano guarda, no entanto, diferenças com a Marina que disputou as eleições em 2010. O apelido de “ex-verde” indica sua saída do PV, mas que também o discurso ambientalista ganhou lugar secundário. O setor do agronegócio passou a ter um pouco mais de sua atenção. A própria escolha de seu vice, ocorreu no clima de “estabelecer o diálogo com ruralistas”, resistentes ao seu nome.

    Já na campanha de 2010, Marina representou grandes empresas e teve como vice, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura. Nesta campanha, Marina tem em cargo estratégico de coordenação a professora Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú.

    Comoção

    A comoção com a morte de Eduardo Campos alçou Marina à condição de candidata e a tragédia fez com que pessoas bem próximas da ex-senadora fizessem uma analogia imediata com a morte do seringueiro e sindicalista Chico Mendes, inspiração de Marina para sua entrada na política, nos anos 1980. O líder seringueiro, que tinha Marina como sua seguidora, foi assassinado em 1988, nos fundos de sua casa, em Xapuri. Logo após o crime, que teve repercussão internacional, Marina foi eleita para seu primeiro mandato como vereadora de Rio Branco, sendo a mais votada.

    Depois da morte de Campos, Marina enfrentou resistências dentro do PSB, mas conseguiu reverter este quadro na medida em que se nome demonstrou chance real de tirar o poder de Dilma. Para pacificar o partido em torno se seu nome, Marina também contou com o apoio da família de Eduardo Campos, com a viúva, Renata Campos, dividindo-se nas primeiras semanas entre o luto e as articulações para viabilizá-la como candidata do partido.

    Marina chegou ao PSB a convite de Eduardo Campos, em uma manobra que facilitaria a entrada do socialista, ex-governador de Pernambuco, em estados fora do Nordeste. Ela não havia conseguido registrar a Rede Sustentabilidade, partido que pretendia criar, devido à falta de assinaturas.

    A convivência no PSB nunca foi pacífica. Após a morte de Campos, o então coordenador da campanha, Carlos Siqueira, saiu soltando suas farpas contra a candidata, a quem chegou a chamar de “hospedeira” do PSB. “'Ela que vá mandar na Rede dela”. Antes, na pré-campanha, Marina já havia inviabilizado alianças costuradas por Campos, entre elas, com o ruralista Ronaldo Caiado, além de forçar candidaturas próprias em Minas Gerais e em São Paulo. Entre petistas do governo Dilma, ainda alarmados com sua ida para o PSB, o comentário unânime era que de que “o PSB começava a conhecê-la”.

    Com a ascensão meteórica de sua candidatura, após a morte de Campos, Marina passou a sofrer ataques tanto de Dilma quanto de Aécio, que investiram em expor suas contradições e em pintá-la como inexperiente. Nunca sua vida foi tão revirada e exposta. Ao reagir, passando a frágil imagem de vítima de preconceito, acabou perdendo terreno e, aos poucos, viu seu desempenho nas pesquisas começar a baixar. A imagem de vítima foi construída com voz embargada e ataques aos adversários.

    Em um de seus discursos, Marina se emocionou ao insinuar que seus pais deixavam de comer para que os filhos pudessem fazê-lo. Sua emoção foi parar no programa de TV. Marina também dedicou seus escassos dois minutos na TV, para se dizer vítima de Lula, a quem acusou de destinar a ela todos os preconceitos do qual ele tinha sido vítima. Marina mostrou uma face messiânica, adotando tons que mais lembravam pregações.

    Durante a campanha Marina precisou enfrentar inconsistências. Após ataques do pastor Silas Malafaia, ela recuou na defesa do “casamento igualitário” e no combate à homofobia. Viu-se compelida a explicar a “independência do Banco Central”, ponto detalhado em seu programa de governo, classificado por seus adversários como interesse dos grandes bancos privados. Exibiu incoerências em temas como o pré-sal (só defendeu abertamente depois de cobrada por Dilma), CPMF (negou ter votado contra), e a relação entre religião e política (disse jamais ter usado a religião nos seus votos, tese refutada pelos anais do Senado).

    Trajetória

    Na disputa com o PT, Marina se viu às voltas com críticas feitas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se engajou na busca de votos para a presidente Dilma Rousseff. A ex-senadora admitiu que chegou a chorar e se disse decepcionada com antigo padrinho. Mas a relação com Lula também lhe rendeu comparações com o ex-presidente por sua origem e sua trajetória política.

    O nome de batismo de Marina é Maria Osmarina Silva de Souza. Ela nasceu no dia 8 de fevereiro de 1958, no Seringal Bagaço, no município de Breu Velho, a 70 quilômetros de Rio Branco. Seus pais eram nordestinos e tiveram 11 filhos, três morreram. Ela tinha 15 anos quando sua mãe, Maria Augusta da Silva, morreu. Seu pai assumiu a criação dos filhos. Ao se casar, ela adotou o nome do marido, Fabio Vaz de Lima, e incorporou em definitivamente o “Marina” ao nome, assim como fez Lula. Assim, a ex-senadora passou a se chamar Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima.

    Na juventude, Marina e toda sua família viveram da extração do látex. No perfil desenhado em sua página, ela relata: “A vida no seringal era difícil. Eu acordava sempre às 4h da manhã, cortava uns gravetos, acendia o fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã”. No seringal, ela contraiu hepatite, malária e leishmaniose. O tratamento dessas doenças a levou a Rio Branco, onde foi viver no convento das Servas de Maria Reparadoras. Ela também trabalhou como empregada doméstica. E aprendeu a ler e escrever aos 16 anos, no Mobral, antigo sistema de ensino supletivo.

    Dez anos depois, já havia se formado em História, pela Universidade Federal do Acre. Marina também concluiu dois cursos de pós-graduação. Um em Teoria Psicanalítica, pela Universidade de Brasília, e Psicopedagogia, pela Universidade Católica de Brasília.

    No convento, Marina tomou pela primeira vez, contato com a Teologia da Libertação, por meio do então bispo de Rio Branco, Moacyr Grecchi. Nesta época, passou a participar das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Foi também na igreja que Marina deu seus primeiros passos na política, ao ingressar no curso de liderança sindical rural, ministrado pelo teólogo Clodovis Boff e por Chico Mendes. Com Chico Mendes, Marina ajudou a fundar o PT e a CUT, no Acre.

    IG

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