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    Polícia Civil do Ceará atravessa ano repleto de adversidades


    O ano de 2016 ficou com fama de vilão em diversos aspectos. Muitos desejaram que ele passasse logo e levasse consigo seus maus momentos. Parte da Polícia Civil do Ceará concorda com o estigma. Depois de negociações infrutíferas, uma greve considerada ilegal pela Justiça e as consequências do movimento que duram até hoje, o tão sonhado aumento ainda não foi efetivado e os policiais continuam fazendo a custódia de presos.
    Nas delegacias, é fácil encontrar agentes que externem insatisfação com a Instituição. A reportagem entrou em contato inspetores e escrivães que foram unânimes: vivem o pior momento como policial. Um inspetor que conversou com a reportagem, mas preferiu não se identificar, disse que a Polícia Civil passa por tempos turbulentos e definiu 2016 como o ano mais complicado e triste, desde que entrou na Corporação, em 2012. "Não tive nada de aumento, nem de reconhecimento, vi amigo morrer, cuidei de preso e fui chamado de pilantra pelo delegado geral. Há como não estar desmotivado?".

    O inspetor conta que já era funcionário público e abriu mão da outra função para assumir o concurso da Polícia Civil. "Era um sonho que eu tinha e estão destruindo. A Polícia não é o que eu pensava". Segundo ele, a Policia Civil do Ceará funciona "de improviso". "A sociedade acredita que o trabalho está sendo feito e nós fingimos que temos condição de fazer. A verdade é que a Polícia só funciona metade do mês, que é o tempo que os subsídios que o Estado oferece conseguem abarcar. O combustível das viaturas, por exemplo, só dura a primeira quinzena".

    O investigador diz, ainda, que a falta de manutenção dos equipamentos faz com os próprios policiais busquem meios para consertá-los. "Grande parte das viaturas está parada por problemas simples como bateria e freios, ou seja, falta de manutenção mesmo. Algumas estão com a correia dentada gasta e precisamos andar bem devagar para não causarmos acidentes. Nós mesmos procuramos pessoas que façam um serviço paliativo, de graça, para que continuem rodando. Fazemos isso também com ar-condicionado das delegacias, computadores. Nos socorremos do prestígio que a Instituição Polícia tem com a sociedade para que as coisas funcionem".

    O inspetor manifestou sua preocupação com o futuro da Corporação. "O que menos a Polícia Civil fez nesse ano foi investigar. Cuidamos de presos, de estrutura física, improvisamos logística, enquanto poderíamos estar dando respostas muito mais efetivas à sociedade com a punição de diversos crimes. O aumento do efetivo apresentado pelo Governo é irrisório. Poucas delegacias de Fortaleza têm pessoal suficiente para funcionar. Estão abertas, mas só de faz de conta".

    De acordo com ele, as dificuldades estão por toda parte. "Nas Delegacias Especializadas os inspetores e escrivães não recebem um centavo a mais. A única coisa que aumenta é a carga de trabalho e as pressões. Já as Delegacias Distritais estão funcionando basicamente com flagrantes levados pela PM, porque não têm como fazer investigação. Geralmente, quem comete um crime vai reincidir até ser preso. Então a Polícia Civil registra, acompanha os casos e espera que a PM prenda, porque os agentes estão ocupados demais nas delegacias exercendo funções que não são suas, ao invés de estar na rua indo atrás de suspeitos".

    O policial civil afirma que o descaso com a questão do aumento é realmente um gargalo para que as coisas voltem a funcionar direito. "A Polícia Civil é completamente esquecida. Não tenho esperança que nos próximos anos as coisas melhores. Nós ganhamos menos que a PM, que os agentes penitenciários e que os guardas municipais. Sem desmerecer os cargos deles, que são muito importantes, mas nós queremos ser reconhecidos também. Somos uma categoria de nível superior e queremos essa valorização. Não tem como exigirem só vocação de nossa parte".

    Impasse

    Ele explica sua frustração dizendo que se sentiu enganado pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-CE) e pelo Governo. "Este ano foi o pior porque criou-se muita expectativa que não se concretizou. Tanto o Governo, quanto o Sindicato prometeram coisas que não aconteceram. O Governo quis fazer uma descompressão dizendo que era aumento. Enquanto isso, quem tem 20 anos de Polícia terá direito a um acréscimo de cerca de mil reais, mas quem tem de cinco para baixo não recebe um centavo. Para mim isso não é aumento, é promoção. Quando é aumento é para todo mundo. Por outro lado, o Sindicato andava de mãos dadas com o Governo, mas na hora não foi atendido e se sentiu traído. Incentivaram os policiais a participarem dessa greve. Os agentes deram a cara a tapa, arriscaram seus empregos, foram corajosos, enquanto o Sindicato usou o movimento como ação midiática em época de eleição. Foi uma falácia deles".

    O inspetor declarou que não se sente representado pelo Sinpol-CE, embora seja sindicalizado. "Se a intenção deles era boa, fizeram tudo errado. A verdade é que hoje em dia tem muito policial que teve decréscimo de salário e está enfrentando dificuldades sérias. Alguns tiraram licença médica por conta das animosidades criadas com delegados e com outros colegas que não aderiram ao movimento. A situação é de muita tensão. Sem contar os que estão sendo transferidos para outras delegacias. O Sinpol pleiteia uma anistia que, pelo menos até agora, não foi assegurada a ninguém".

    Sem esperança

    O investigador afirma que não acredita em uma mudança efetiva com a saída do delegado geral, Andrade Júnior. "É apenas uma dança das cadeiras. O Andrade se dizia amigo do policial civil, dizia que faria uma gestão participativa, conhecia o policial pelo nome, mas errou feio quando chamou a categoria de pilantra. Foi muito vexatório. Existem muitas versões para a saída dele, mas sabemos que saiu porque não tinha mais como honrar os compromissos que fez e estava se 'queimando' cada vez mais com inspetores e escrivães. Os delegados pleiteiam um aumento, que ele também não conseguiria. A relação dos delegados com inspetores e escrivães está muito ruim, em geral. Será difícil apaziguar. Hoje é como se houvesse duas Polícias Civis e uma delas só tivesse delegado".

    Fonte: Diário do Nordeste

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